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50 anos de Stonewall e botecos para antes, durante e depois da Parada LGBT

Miguel Icassatti

2020-06-20T19:12:51

20/06/2019 12h51

Neste domingo, 23, a 23ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo deve reunir 3 milhões de pessoas na Avenida Paulista. O evento terá 19 trios elétricos e atrações como as cantoras e DJs Lexa, Mc Pocahontas, Luisa Sonza e a ex (ou eterna?) Spice Girl Mel C. O tema da festa, este ano, é a celebração dos 50 anos do que ficou conhecido como a Revolta de Stonewall, uma marco na luta do movimento gay.

Em meados dos anos 1960, o Stonewall Inn, no Village, era um bar do underground nova-iorquino que reunia gays, moradores de rua, pobres, mafiosos – consta que os donos do Stonewall Inn pagavam uma grana para que a casa pudesse funcionar sem maiores problemas – e todo tipo de gente que vivia à margem do glamour da Madison Avenue.

Acontece que o Stonewall Inn vendia bebida alcoólica e não tinha autorização para isso. Na madrugada de 28 de junho de 1969, esse foi o pretexto da polícia de Nova York para invadir o local. Nove policiais entraram na casa, prenderam funcionários, agrediram e levaram dali clientes, sobretudo travestis. Ao serem conduzidas à viatura, algumas dessas pessoas debocharam dos policiais, fazendo caretas, por exemplo, e a violência recrudesceu.

Do lado de fora, uma multidão começou a atirar moedas, pedras e garrafas nas viaturas. Os policiais montaram um abarricada e ficaram encurralados dentro do bar, que começou a pegar fogo. Pegaram uma mangueira para conter as chamas e ao mesmo tempo jogar água para dispersar os manifestantes.

Bar Balcão: um dos bares mais legais de SP / Fotos. Miguel Icassatti

 

Nos dias seguintes, os frequentadores que, por assim dizer, se escondiam no Stonewall Inn passaram a se reunir nos arredores, fazendo beijaços, abraçaços, marchando e exigindo direitos. Em 2016, o presidente Barack Obama tombou o local como o primeiro monumento em homenagem aos direitos dos cidadãos americanos LGBTQ.

Voltando à Paulista de 2019, a Parada do Orgulho do LGBT é uma das datas mais movimentadas do calendário paulistano. Segundo dados do Ministério do Turismo, chega a 90% a taxa de ocupação dos hotéis no centro e na região da Paulista. Em 2018, de acordo com o prefeito Bruno Covas, o evento movimentou 288 milhões de reais na economia da cidade.

Para além dos números, a Parada é uma festa. Durante os cinco anos em que morei no Baixo Augusta, a três quarteirões da Avenida Paulista, assisti a algumas edições do evento, tanto na companhia de amigos, como na de minha mulher.

Bares e restaurantes não faltam no entorno – e não estou aqui me referindo a pontos exclusivamente LGBT, mas, como direi, democráticos – seja para o antes, o durante e o depois da Parada, embora eu recomende as duas primeiras situações.

#ficaadica, o mundaréu colorido vai lotar esses endereços, por isso vale a pena chegar cedo e explorar alguns pontos um pouquinho mais distantes, a quatro ou cinco quadras da Paulista, tanto para o lado do centro como para os Jardins.

As duas unidades do Sujinho, uma de cada lado da Rua da Consolação, por exemplo, têm a vantagem de ficar no caminho dos trios elétricos. Haja bisteca.

Naquele quadrilátero entre as ruas Luís Coelho, Bela Cintra, Matias Aires e Frei Caneca, está fincado uma espécie de Baixo Minas, em pleno Baixo Augusta, com várias opções de cozinha das alterosas: Segredos de Minas, O Mineiro, Boteco de Minas e Terraço de Minas.

Haja torresmo.

O Tubaína Bar – de quem eu era vizinho – tem uma boa carta de cervejas (A Paulistânia Caminho das Índias é uma IPA vendida a 22,90 reais) e pratos redondinhos para compartilhar, como o baião-de-dois (59 reais, para três).

Do lado de lá da Paulista, quase em frente um ao outro, estão um clássico e uma boa novidade.

O primeiro é o Balcão, um dos bares mais legais desta cidade, pelo conjunto da obra, e que obra!: o amistoso balcão em ziguezague, o bom cheesesalada, a enorme de tela de Roy Lichtenstein, o quadro pintado pelo Jô…

Caipirinha Bruta, do Candeeiro

O recém-aberto Candeeiro, por sua vez, tem no comando o barman Zulu, que criou uma variada carta de drinques, que privilegia variações de caipirinha e outros drinques feitos com cachaça. São exemplos a Bruta (Cachaça 1000 Montes, limão rosa, mel e jurubeba) e a caipirinha Três Limões (26 reais).

Coxinha com massa de mandioquinha, do Candeeiro

Para comer, vale provar a porção de coxinha com massa de mandioquinha (22 reais a porção de 3 unidades) e a costela assada com arroz carreteiro (96 reais, para duas pessoas). Neste domingo, aliás, o DJ Leo Marinho, da Love Story, vai tocar música eletrônica na casa. Haja pick-up!

Vai lá:

Balcão. Rua Dr. Melo Alves, 150, Cerqueira César.

Boteco de Minas.Rua Matias Aires, 86, Consolação.

Candeeiro. Rua Dr. Melo Alves, 205, Cerqueira César.

O Mineiro. Rua Matias Aires, 74, Consolação.

Segredos de Minas: Rua Bela Cintra, 919, Consolação.

Stonewall In. 53 Christopher Street, Greenwich Village, Nova York.

Sujinho. Rua da Consolação, 2063, Consolação.

Terraço de Minas: Rua Haddock Lobo, 179, Consolação.

Tubaína. Rua Haddock Lobo, 74, Consolação.

 

Sobre o autor

Miguel Icassatti é jornalista e curador da Sociedade Paulista de Cultura de Boteco. Foi crítico de bares das revistas “Playboy” (1998-2000) e “Veja São Paulo” (2000), editor-assistente e um dos fundadores do “Paladar/jornal O Estado de S. Paulo” (2004 a 2007), editor dos guias “Veja Comer & Beber” em 18 regiões brasileiras (2007 a 2010), editor-chefe do Projeto Abril na Copa (Placar) e da revista “Men’s Health Brasil” (2011 a 2014). É colunista de “Cultura de Boteco” da rádio BandNews FM e correspondente no Brasil da “Revista de Vinhos” (Portugal).

Sobre o blog

Os petiscos, as bebidas, os balcões encardidos, as pessoas e tudo que envolve a cultura de boteco e outras histórias de bar.