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Na estrada: 6 botecos que valem a viagem

Miguel Icassatti

2017-01-20T19:13:35

17/01/2019 13h35

A vocês, querido leitor e querida leitora, que ainda estiverem de férias, o blog dedica este roteiro afetivo com alguns botecos no interior e no litoral de São Paulo. Bon Voyage!

As melhores empadas da ilha

Não confunda, não há nada a ver – a não ser o fato de ambos serem botecos – entre o Genésio, na Vila Madalena, e este endereço ilhéu. O Genésio aqui é de carne e osso, tem cabelo enrolado à la Biro-Biro (ou Bell Marques), barba cada vez mais branca e uma cara fechada que, tenho certeza, serve para espantar os chatos. E desde 1968, ele comanda com carinho – cobrir as garrafas de cachaça na prateleira com papel celofane é ou não é uma baita demonstração de carinhoso? – este endereço simplérrimo, que é meu ponto de apoio entre o desembarque da balsa e o centrinho. Ser feliz ali não é difícil: basta pedir uma empadinha de camarão (ou duas, ou mais) e uma cerveja.

Vai lá:

Bar do Genésio. Avenida Pedro Paula de Moraes, 760, Pequeá, Ilhabela.

 

O puro creme do porco

Torresmo do Bar do Tião: 14 centímetros, no mínimo / Foto: divulgação Facebook

Há quem se lembre do tempo em que os maiores torresmos do Brasil (ao menos no estado de São Paulo não há concorrência) ficavam amontoados em uma estufa sobre o balcão deste boteco fundado há 39 anos em Jacareí, no Vale do Paraíba. Hoje, o Bar do Tião ocupa um sobrado com a fachada pintada de azul e um salão grande, embora muito simples. A iguaria, uma bitela de 14 a 15 centímetros, é frita na hora, ao preço de 7 reais. Se o freguês quiser, pode vir cortada no espeto.

Vai lá:

Bar do Tião. Avenida Santa Helena, 524, São João, Jacareí.

 

Os pasteis do governador

Café Carioca: clássico santista / Foto: Miguel Icassatti

Descer a serra até Santos e não ir à praia, para falar a verdade, não é pecado nenhum. Mas qual seria a penitência se eu não der uma passada no Paquito, no Heinz, no Bar do Toninho ou no Café Carioca, bem no centro da cidade? A resposta: um baita arrependimento. Na chegada ou na saída da cidade, vai por mim, vale a pena parar neste endereço octogenário, ao lado da prefeitura, de frente para a praça, com piso de lajota vermelha encardido, mesas de madeira antigas (e não à moda antiga), balcão de fórmica… um clássico, por definição. Uma amiga querida, que foi chefe do cerimonial de Mario Covas quando ele foi prefeito de São Paulo, e depois governador, jura que o chefe mandava buscar os pasteis no Carioca para comer na capital. São nove sabores, muito bem recheados e temperados. Eu gosto do de carne e do de camarão (7 reais a unidade). E o chope na caneca sai por 9,50 reais.

Vai lá:

Café Carioca. Praça Visconde Mauá, 1, centro, Santos.

 

Entre tortas e bolinhos

City Bar: bolinho de bacalhau e torta à campineira

Conheci o City Bar, no centro de Campinas, onze anos atrás. Voltei recentemente e, para minha alegria, pouco mudou. Ganhou, na verdade, uma filial a um quarteirão, o City Tortas, onde é vendida a especialidade, em diversos sabores. O endereço original, com mesas espalhadas sobre a calçada de frente para a praça do Centro Cívico, é um símbolo da boemia campineira. Inaugurado em 1958, serve um ótimo bolinho de bacalhau (7 reais). A fatia de torta, por sua vez, sai por 6,80 reais. Gosto da de palmito e da de frango, que é ainda mais em conta (6,30 reais).

Vai lá:

City Bar. Avenida Júlio de Mesquita, 450, Cambuí, Campinas.

 

Peixe no tambor

A Rua do Porto, no centro de Piracicaba, é na verdade uma via pedestre, um corredor que concentra bares e restaurantes avarandados na margem do rio que dá nome à cidade. Colados um ao outro, esses endereços têm como especialidade a receita de peixe assado no tambor. As instalações são muito simples, com mesinhas de plástico sob uma varanda, árvores, nem precisa mais. Entre eles está o Dezoito, talvez o mais famoso dali. Para comer uma piapara (67,90 reais o quilo) ou um tambaqui (68,90 reais o quilo), por exemplo, é só chegar e escolher um dos peixes expostos sobre o balcão. O funcionário vai espetar uma estacazinha de madeira com o seu nome e, ao que peixe ficar pronto, vai levar à sua mesa. Enquanto isso, u qui nóis fáiz? Pede uma cerveja (Original, 12,50 reais) e proseia, ué.

Vai lá:

Dezoito Bar: Avenida Alidor Pecorari, 750 (Rua do Porto), centro, Piracicaba.

 

O bolinho do chef

Referir-me ao Taioba, do chef Eudes Assis, como um boteco, certamente é uma licença poética. Mas é impossível não estar à vontade neste restaurante pé-na-areia, que fica logo nos primeiros metros da estradinha que leva ao Sertão do Camburi, no litoral norte. Eudes é um craque, nascido ali e valoriza os ingredientes locais, como os pescados, é claro, mas também a taioba, que não por acaso dá nome ao local. Essa folha levemente amarga, abundante na Serra do Mar e no Vale do Paraíba, é a base de um bolinho delicioso. A porção com 8 unidades custa 26 reais. Em tempo: o Eudes ainda é um dos responsáveis pelo Projeto Buscapé, que atende 120 crianças carentes da região. Vale trocar uma ideia com ele a respeito.

Bolinho de taioba: pedida obrigatória / Foto: divulgação

Vai lá:

Taioba Gastronomia. Rua Tijucas, 55 (Estrada do Sertão de Camburi), Camburi.

Sobre o autor

Miguel Icassatti é jornalista e curador da Sociedade Paulista de Cultura de Boteco. Foi crítico de bares das revistas “Playboy” (1998-2000) e “Veja São Paulo” (2000), editor-assistente e um dos fundadores do “Paladar/jornal O Estado de S. Paulo” (2004 a 2007), editor dos guias “Veja Comer & Beber” em 18 regiões brasileiras (2007 a 2010), editor-chefe do Projeto Abril na Copa (Placar) e da revista “Men’s Health Brasil” (2011 a 2014). É colunista de “Cultura de Boteco” da rádio BandNews FM e correspondente no Brasil da “Revista de Vinhos” (Portugal).

Sobre o blog

Os petiscos, as bebidas, os balcões encardidos, as pessoas e tudo que envolve a cultura de boteco e outras histórias de bar.