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5 majestosos sanduíches de pernil

Miguel Icassatti

2012-04-20T19:12:46

12/04/2019 12h46

Houve um tempo em que os jogadores de futebol calçavam apenas chuteiras pretas – lembro vagamente do diz-que-me-disse na época em que o Casagrande entrava em campo, 1983, acho, pisando em um par de lustrosas chuteiras brancas.

Era uma época em que o time titular entrava em campo ostentando a numeração de 1 a 11 nas costas.

A gente colecionava futebol card e ia de mãos dadas com nosso pai ao estádio – também não havia arena – na quarta à noite e no domingo à tarde.

Sanduíche de pernil da Padaria Natalina / Foto: Miguel Icassatti

Foi um tempo em que era possível ter duas torcidas dividindo os "gomos" do Morumbi, então maior estádio particular do mundo, nos clássicos Choque-Rei, Dérbi, SanSão, Majestoso.

E, como bem lembrou meu amigo Piki, um dos mais ardorosos Tricolores que conheço, chegávamos três horas antes do jogo ao estádio para comer sanduíche de pernil, em alguma daquelas barracas que ficavam enfileiradas na Praça Roberto Gomes Pedrosa. A fumaça cheirosa vinha guiando a gente por algumas centenas de metros.

Mas eis que vieram a torcida única, as chuteiras coloridas, os parças, as arenas – símbolo maior da gourmetização ludopédica –, as malditas pizzas a 10 reais. E as barracas de sanduíche de pernil sumiram.

Numa cruel e talvez impensada tentativa de emular aqueles tempos, alguns motoristas e ambulantes estacionam seus carros a certa distância do estádio e esquentam a chapa no porta-malas aberto de suas carangas para salvar uns trocados.

Às vésperas da final do Paulistão 2019, que reúne São Paulo e Corinthians no clássico Majestoso, conforme definiu o jornalista Tomás Mazzoni, de A Gazeta Esportiva, a nostalgia toma conta deste torcedor, que resolve compartilhar aqui cinco majestosos sanduíches de pernil. Vai lá:

Sanduíche de pernil do Bom Gosto / Foto: Miguel Icassatti

Bom Gosto (Rua São Bento, 525, centro). Há dez anos, ocupa o mesmo endereço do saudoso Ao Dix Bar, célebre casa que preparava sanduíches e uma famosa coxa creme. Alguns funcionários, inclusive, foram herdados e montam um sanduíche muito semelhante ao do Estadão Bar e Lanches, cuja família comanda as duas casas, aliás.

Estadão Bar e Lanches (Viaduto Nove de Julho, 193). Porque clássico é clássico e não nos deixa na mão em nenhuma hora do dia. O molho de pimenta completa perfeitamente a mistura de pão crocante mais molho com pimentão mais a carne úmida (R$ 17,00). Quando a gente consegue um naco da pururuca, é a certeza de que o dia valeu. E ainda ganha a simpatia do Zezão.

Sanduíche de pernil do Mortadela Brasil / Foto: divulgação

Mortadela Brasil (Mercado Municipal Paulistano, mezanino). No mezanino do Mercado Municipal, esse boteco prepara sanduíches colossais e também versões menores. Há uma opção com queijo provolone mas a escolha certeira é a do pernil regado com o molho do próprio assado, que, aliás, é uma receita que está na família dos donos há pelo menos 50 anos. Custa R$ 36,00 e, a bem da verdade, vale ser dividida por duas pessoas.

Padaria Natalina (Rua Sepetiba, 448, Vila Ipojuca): um endereço afetivo do bairro, a padaria serve o sanduíche de pernil (R$ 14,50) às terças e sextas. Na véspera, o proprietário, José, tempera a carne e entrega ao padeiro que, começa o expediente às 9 da noite. Depois que os primeiros pães são assados, no meio da madrugada, ele coloca o pernil no forno, por umas três horas. Na manhã seguinte, o Toninho, comandante do balcão, vai dando saída ao sanduíche, não sem antes finalizar na chapa e cobrir as lascas de carne com molho de tomate.

Sanduíche de pernil do Pompeia Bar / Foto: divulgação

Pompeia Bar (Rua Dr. Augusto de Miranda, 712, Pompeia): O José Luiz, dono do bar, supervisiona cada etapa do preparo: do tempero caseiro, receita da mãe dele, ao desfiar da carne e a montagem do sanduíche, que é servido ao lado de uma porção de batata frita. Custa R$ 25,90.

 

 

 

Sobre o autor

Miguel Icassatti é jornalista e curador da Sociedade Paulista de Cultura de Boteco. Foi crítico de bares das revistas “Playboy” (1998-2000) e “Veja São Paulo” (2000), editor-assistente e um dos fundadores do “Paladar/jornal O Estado de S. Paulo” (2004 a 2007), editor dos guias “Veja Comer & Beber” em 18 regiões brasileiras (2007 a 2010), editor-chefe do Projeto Abril na Copa (Placar) e da revista “Men’s Health Brasil” (2011 a 2014). É colunista de “Cultura de Boteco” da rádio BandNews FM e correspondente no Brasil da “Revista de Vinhos” (Portugal).

Sobre o blog

Os petiscos, as bebidas, os balcões encardidos, as pessoas e tudo que envolve a cultura de boteco e outras histórias de bar.