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Na Speranza, pizza combina com cerveja e letras

Miguel Icassatti

27/06/2019 17h02


Chope Terceira Margem / Foto: Miguel Icassatti

Aos 60 anos de vida e com os mais relevantes serviços prestados à gastronomia paulistana – afinal, foi de seu forno a lenha que saíram os primeiros pães de linguiça à napolitana (o famoso Tortano, R$ 23,90 a fatia) e discos de pizza margherita (R$ 82,90) na cidade –, a pizzaria Speranza lança em suas duas unidades, tanto no Bexiga (ou Bixiga?) quanto em Moema, um chope artesanal.

No estilo Munich Helles, com teor alcoólico de 4,8%, de corpo leve, amargor suave e refrescante, com nota marcante de malte, a bebida ganhou o nome de Terceira Margem (R$ 10,90 o copo de 300 mililitros). Os leitores mais atentos perceberão que, sim, o nome da bebida faz alusão ao maravilhoso conto "A Terceira Margem do Rio", escrito por Guimarães Rosa em 1962 e que integra a obra Primeiras Estórias. "Eu me identifico com o esse conto porque busquei fazer algo diferente nesta fase de maturidade na vida, um caminho entre duas margens", diz Marcela Tarallo, uma das donas da Speranza e a criadora da receita do chope.

Tortano, o pão de calabresa da Speranza / Foto: divulgação

Empresária, portanto, e agora cervejeira, Marcela também criou uma versão engarrafada da bebida, que tem sabor e corpo muito semelhantes aos do chope, mas com um menos carbonatação (que provoca uma sensação de menos gás na hora de ser degustada). A cerveja Marias – este é o nome – custa R$ 22,50 (garrafa de meio litro).

Marias, a cerveja da Speranza / Foto: Miguel Icassatti

Mas a alusão literária ao nome da cerveja, desta vez ao poema de Mario Quintana, fica por minha conta, já que sou pai, filho e genro de Marias:

Há três coisa neste mundo
cujo gosto não sacia
É o gosto do pão, da água
e o do nome de Maria.

Vai lá:

Speranza. Rua Treze de Maio, 1004, Bela Vista e Avenida Sabiá, 786, Moema.

 

Sobre o autor

Miguel Icassatti é jornalista e curador da Sociedade Paulista de Cultura de Boteco. Foi crítico de bares das revistas “Playboy” (1998-2000) e “Veja São Paulo” (2000), editor-assistente e um dos fundadores do “Paladar/jornal O Estado de S. Paulo” (2004 a 2007), editor dos guias “Veja Comer & Beber” em 18 regiões brasileiras (2007 a 2010), editor-chefe do Projeto Abril na Copa (Placar) e da revista “Men’s Health Brasil” (2011 a 2014). É colunista de “Cultura de Boteco” da rádio BandNews FM e correspondente no Brasil da “Revista de Vinhos” (Portugal).

Sobre o blog

Os petiscos, as bebidas, os balcões encardidos, as pessoas e tudo que envolve a cultura de boteco e outras histórias de bar.