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No dia do gim, 12 motivos para celebrar a bebida

Miguel Icassatti

12/06/2021 13h03

Negroni com tangerina, da Osteria Del Rosso / Foto: divulgação

Leiden, cidadezinha que fica a cerca de 45 quilômetros de Amsterdã, é uma terra de gênios e de ideias geniais. Ali nasceu em 1606, Rembrandt, gravurista e pintor – aliás, dica: há algumas gravuras dele expostas na imperdível casa-museu da Fundação Ema Klabin, em São Paulo. Alguns anos antes, em 1575, foi fundada a Universidade de Leiden, que atravessa os séculos como uma das instituições de ensino mais prestigiadas do mundo, sobretudo por ser um centro de livre pensar a respeito das ciências humanas e sociais – e onde o gim foi criado.

Leiden mora em meu coração porque na cidade nasceu meu avô, Antonius, que era uma figura e se foi antes que eu tivesse idade para brindar com ele um Dry Martíni, a quem dedico este texto, e também a você, leitor, que aprecia o gim.

  1. O gim foi, por assim dizer, inventado na Holanda. O primeiro registro da produção do destilado de zimbro vem do século 17. Foi nos laboratórios do campus da Universidade de Leiden que o professor Franciscus Sylvius de la Boe destilou bagos de zimbro e produziu a bebida, na época utilizada como remédio para problemas gástricos.
  1. A bebida chegou à Inglaterra levada pelos soldados que combateram em território holandês na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Obteve tamanho sucesso que nos dias de hoje ainda se associa o gim, primordialmente, ao Reino Unido.
  1. Tanto é que foi na Inglaterra que o blogueiro Neil Houston criou, em 2009 na cidade de Birmingham, o Dia Mundial do Gim, dedicando o segundo sábado de junho à bebida. Desde então, mais de 30 países entraram na brincadeira.
  1. Embora a legislação brasileira permita a comercialização de bebidas com teor alcoólico de no máximo 54%, na Europa são produzidos rótulos mais potentes, a exemplo do Blackwood's Vintage Dry Gin, que tem 60% de álcool.
  1. Além do zimbro, componentes importantes na composição do gim são os botânicos, ou seja, ervas, flores, frutas e especiarias utilizadas na produção da bebida, que lhe dão indentidade, conforme a marca. O emblemático Monkey 47, elaborado na Alemanha, leva 47 botânicos colhidos na Floresta Negra em sua receita, entre eles coentro, amora, mirtilo casca de laranja e de limão, além de zimbro, é claro. Foi criado pelo aviador inglês Montgomery Collins, em 1950, e cada lote e engarrafado com apenas 2500 garrafas de meio litro. No Brasil, é importado pela Pernod-Ricard.

    Gim tônica do Ritz: Ritz hour / Foto: divulgação

  1. Entre os drinques com gim mais preparados no mundo estão o Dry Martíni, o Gim Tônica e o Negroni. O gim tônica foi inventado por soldados ingleses que serviam na Índia colonial. Como eram obrigados a consumir quinino para prevenir a malária, passaram a misturá-lo com gim e gelo. A receita clássica de G&T leva 50 mililitros de gim, 150 mililitros de água tônica, gelo e uma rodela de limão siciliano.
  1. Coquetel imortalizado por Winston Churchill e Bond, James Bond, o Dry Martíni tem inúmeras versões, a depender da mão do barman. Churchill, porém, bebia gim misturado com gelo e disse certa vez, ao ser perguntado qual a dose de vermute queria: "gosto da presença do vermute na sala, enquanto eu estiver bebendo o meu martíni. E o agente 007 preferia o seu drinque composto de 75 mililitros de gim com 10 mililitros de vermute branco seco, "batido, não mexido".
  1. Criado pelo barman Fosco Scarselli e pelo conde Camilo Negroni, no Caffè Cavalli, em Florença, Itália, o Negroni clássico leva, em três partes de 30 mililitros, vermute tinto, bitter e gim.
  1. Com o boom da nova coquetelaria brasileira e também em decorrência da pandemia, algumas marcas de gim passaram a comercializar versões desses drinques clássicos em lata ou em doses. A Jungle Gin, por exemplo, lançou a Bitter&Co., grife que tem Dry Martíni e Negroni engarrafados. Outra marca estabelecida nesse formato é a N45. Em parceria com o barman Alê D'Agostino, do Apothék, o Bar Astor lançou um ótimo Negroni engarrafado. A casa acaba de apresentar também o seu próprio gim nacional, o Gim Astor, desenvolvido pela Virga.
  1. Na cidade do Porto, em Portugal, fica um dos bares com a maior carta de gim no mundo: é o The Gin House, localizado na Rua Cândido dos Reis, 70, popularmente conhecida como região das Grandes Galerias. Especializada em G&T, a casa tem mais de 200 marcas à venda.
  2. Assim como ocorre com o vinho em alguns países produtores, o gim tem uma famosa denominação de origem controlada. Trata-se do Plymouth Gin, produzido na cidade inglesa de Plymouth, e é geralmente mais importado que o London Dry Gin.
  1. Leitura obrigatória: Os Segredos do Gim, do expert José Osvaldo do Amarante (Mescla Editorial), foi lançado em 2016 e traz, além da história do gim, detalhes da produção, dados sobre o consumo, receitas de drinques clássicos e uma lista respeitável de bares de gim ao redor do mundo.

Sobre o autor

Miguel Icassatti é jornalista e curador da Sociedade Paulista de Cultura de Boteco. Foi crítico de bares das revistas “Playboy” (1998-2000) e “Veja São Paulo” (2000), editor-assistente e um dos fundadores do “Paladar/jornal O Estado de S. Paulo” (2004 a 2007), editor dos guias “Veja Comer & Beber” em 18 regiões brasileiras (2007 a 2010), editor-chefe do Projeto Abril na Copa (Placar) e da revista “Men’s Health Brasil” (2011 a 2014). É colunista de “Cultura de Boteco” da rádio BandNews FM e correspondente no Brasil da “Revista de Vinhos” (Portugal).

Sobre o blog

Os petiscos, as bebidas, os balcões encardidos, as pessoas e tudo que envolve a cultura de boteco e outras histórias de bar.