Boteclando http://boteclando.blogosfera.uol.com.br Os petiscos, as bebidas, os balcões encardidos, as pessoas e tudo que envolve a cultura de boteco e outras histórias de bar Fri, 16 Aug 2019 14:32:46 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Um sábado de football e boteco http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/08/16/um-sabado-de-football-e-boteco/ http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/08/16/um-sabado-de-football-e-boteco/#respond Fri, 16 Aug 2019 14:32:46 +0000 http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/?p=450

Foto: divulgação

Neste sábado, 17 de agosto, a Sociedade Paulista de Cultura de Boteco veste a camisa azul clara do Manchester City, num evento superbacana no Museu do Futebol: o Trophy Tour da Premier League, conquistada pelos citizens no campeonato inglês 2018-2019.

Além da presença do troféu, o evento inclui a transmissão, por telão, do jogo entre o Manchester City e o Tottenham, às 13h30. Para assistir ao jogo, basta se inscrever peço link: ​http://bit.ly/2SLm81Z.

E desde as 11 da manhã, cinco botecos já estarão a postos, vendendo comidas típicas de estádio mundo afora, entre outras receitas.

O Boteco dos Hermanos, por exemplo, terá choripán, tradicional sanduíche dos estádios argentinos – alô Aguero!

A Academia da Gula leva bolinho de bacalhau e pasteizinhos.

O Pira Grill vem com bolinho de feijoada, torresmo e dadinho de tapioca.

Dadinho de tapioca / Foto: divulgação

Bolinho de bacalhau da Academia da Gula / Foto: divulgação

E o Boteco do Carmo prepara um hot-dog com barbecue de costelinha de porco.

Para beber, a BR Brew – premiada no festival brasileiro de cerveja em Blumenau em 2018 – levará duas cervejas artesanais: uma do estilo keller e uma Session IPA, de estilo inglês.

Charles Miller e Pep Guardiola aprovariam.

Vai lá:

O quê: Trophy Tour Manchester City

Quando: 17 de agosto, sábado, a partir das 11h

Onde: Museu do Futebol – Estádio do Pacaembu

Quanto: Entrada gratuita

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Uns goles, uns petiscos e Jacob do Bandolim http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/08/12/uns-goles-uns-petiscos-e-jacob-do-bandolim/ http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/08/12/uns-goles-uns-petiscos-e-jacob-do-bandolim/#respond Mon, 12 Aug 2019 22:56:52 +0000 http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/?p=446

Jacob do Bandolim / Foto: jacobdobandolim.com.br

Amanhã, terça-feira, 13 de agosto, completa-se meio século da morte de Jacob do Bandolim, um dos baluartes da música instrumental brasileira, uma lenda do Choro – o Helton Altman, do Filial, grande boteco da Vila Madalena, torce o nariz para quem fala “chorinho”.

Mas o fato é que, para celebrar o grande instrumentista, o Memorial da América Latina organiza o show Choro, Chorinho e Chorões, comandado pelo bandolinista Fábio Peron. Acompanhado dos músicos Zé Barbeiro (violão de 7 cordas), Rafael Toledo (pandeiro) e Deni Domênico (cavaquinho), o Peron vai interpretar composições de Jacob do Bandolim e receberá no palco, entre os convidados, o acordeonista Toninho Ferragutt, o violinista Ricardo Hertz e o gaitista Vitor Lopes, entre outros.

Durante o evento, que começa às 6 da tarde e vai até as 10 da noite, com entrada gratuita, o cartunista Paulo Caruso faz caricaturas dos músicos.

E os botecos Pira Grill (Vila Madalena), Rota do Acarajé (Santa Cecília) e Boteco do Carmo – parceiros da Sociedade Paulista de Cultura de Boteco, da qual este redator é curador – estarão vendendo petiscos de botequim (veja cardápio abaixo), além de cerveja, caipirinha, uísque e cachaças artesanais – com direito a um chorinho, quem sabe?

Cardápio Sociedade Paulista de Cultura de Boteco:

Dadinho de tapioca do Pira Grill / Foto: divulgação

PIRA GRILL
Dadinho de tapioca
Bolinho de feijoada
Torresmo

ROTA DO ACARAJÉ
Acarajé
Bobó de camarão
Bolo de manteiga de garrafa
Cocada dura

BOTECO DO CARMO
Choripán à moda argentina
Choripán com fritas
Porção de fritas no cone

BAR CULTURA DE BOTECO
Cerveja, uísque, caipirinha, cachaça artesanal, refrigerante e água

Vai lá:

O quê: Choro, Chorinho e Chorões

Quando: 13 de agosto, das 18h às 22h

Onde: Marquise do Prédio da Administração | Portões 8, 9 e 13, Memorial da América Latina | Metrô Barra Funda

Quanto: Entrada gratuita

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Três botecos de pai para filho – e um de pai para filha http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/08/08/tres-botecos-de-pai-para-filho-e-um-de-pai-para-filha/ http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/08/08/tres-botecos-de-pai-para-filho-e-um-de-pai-para-filha/#respond Fri, 09 Aug 2019 02:45:04 +0000 http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/?p=436

Luiz Fernandes e…

“Não basta ser pai, tem que participar”, dizia o locutor ao fim da bela propaganda, no início dos anos 1980, daquele famoso relaxante muscular. Que garoto não sonhou em marcar aquele gol de pênalti debaixo do toró e correr para o abraço do pai?

… Eduardo Fernandes: pai e filho no balcão e no salão / Fotos: divulgação

O Eduardo Fernandes, por exemplo: torcedor do Santos, certamente imaginou-se na cena. Mas a verdade é que, para ele, assim como para outros garotos que seguiram o caminho do pai e foram trabalhar no boteco da família, o slogan poderia ser outro: “não basta ser filho, tem que participar”.

Eduardo é filho do Luiz Fernandes, fundador do Bar do Luiz Fernandes, o boteco mais tradicional da ZN paulistana. Hoje com 54 anos, ele trabalha no bar desde 1983, quando completou 18 anos. “Parei de estudar no ginásio e resolvi trabalhar com meu pai. O bar é o único emprego que tive em toda minha vida”, diz Edu, que gerencia o estabelecimento e convenceu as duas filhas a também trabalharem no negócio. Catarina formou-se em gastronomia; Carolina é nutricionista.

Ambas dão expediente no bar e mantêm a tradição da casa de colocar no cardápio uma receita nova de bolinho a cada ano. Recentemente, portanto, o Bar do Luiz Fernandes lançou o garbanzo, um bolinho com massa de grão-de-bico com arroz negro e linguiça defumada (R$ 6,00).

Fabrizio, Magrão e Giovanni: o power trio da mamãe Mônica

Foi também aos 18 anos, em 2009, que Giovanni Boralli assumiu a cozinha da Cantina e Bar do Magrão, no Ipiranga, botecaço que o Magrão e a Mônica haviam aberto em 1995 bem antes, portanto, do nascimento de Giovanni – e de Fabrizio, o caçula que, assim como o irmão, formou-se chef de cozinha. “O Giovanni trabalhou com o Alex Atala no D.O.M e no Dalva e Dito. É bom nos risotos e nas comidas mais ‘enjoadas’. E o Fabrizio manda bem nas massas e sobremesas”, conta Magrão, que atribui ao primogênito a criação de uma das receitas de maior sucesso do bar, que lhe valeu o prêmio de petisco campeão do festival Comida di Buteco em 2012: o escondidinho de bacalhau (R$ 46,00).

Bem mais cedo, aos 13 anos, foi a idade com que o Rodrigo Oliveira começou a trabalhar com o pai, José Almeida, no Mocotó. “Naquela época, 1993, éramos meu pai, eu e mais três funcionários”, relembra o chef, que hoje comanda uma brigada de 70 funcionários e levou a casa da Vila Medeiros a alcançar uma estrela do Guia Michelin, graças a itens como os excelentes torresmo (R$ 9,90 a unidade), os dadinhos de tapioca (R$ 16,90 a porção com seis) e a carne-de-sol com chips de mandioca, alho assado e pimenta biquinho (R$ 58,90).

José Almeida e Rodrigo Oliveira: ensinar e aprender o que é a simplicidade / Foto: divulgação

Enquanto Rodrigo divide-se entre as cozinhas do Mocotó e do restaurante Balaio (no térreo do Instituto Moreira Salles, na Avenida Paulista), além da concepção do negócio – “mais que um restaurante”, diz Rodrigo – que irá ocupar o espaço do antigo Esquina Mocotó, com abertura prevista ainda para 2019, seu pai aparece diariamente na casa que ele fundou em 1973. “A grande lição que meu pai me dá é a do respeito à simplicidade. O sertão, afinal, não é o lugar dos excessos. É, na maioria das vezes, o da escassez”, diz Rodrigo, referindo-se à origem sertaneja do pai, em Mulungu, Pernambuco.

Já Marcia Nozoie diz que sempre trabalhou com o pai e a mãe, a saudosa Dona Shizue, na cozinha do Bar do Luiz Nozoie. Ela nasceu em 1961, um ano antes de o pai abrir o boteco no Jardim da Saúde. “Desde criança eu já ajudava minha mãe a preparar os petiscos. Mas foi em 1986 que larguei meu emprego e passei a trabalhar somente no bar.

Luiz Nozoie e Marcia: de pai para filha / Foto: acervo pessoal

É ela quem comanda o boteco e zela pela tradição e pela qualidade dos itens servidos ali, entre os quais o jiló temperado (R$ 4,00 a unidade) e o bolinho de arroz com calabresa (R$ 2,50).

“Aprendi com meu pai a cuidar de tudo um pouco, a ter uma visão atenta de muitas coisas no dia-a-dia do bar”, conta Marcia. Prestes a completar 89 anos, Luiz Nozoie diminuiu o ritmo de trabalho, mas aparece no salão assim que o bar abre as portas e se recolhe no começo da noite. Afinal, não basta mesmo ser pai, né, Seu Luiz?

Vai lá:

Bar do Luiz Fernandes. Rua Augusto Tolle, 610, Mandaqui.

Bar do Luiz Nozoie. Avenida do Cursino, 1210, Jardim da Saúde.

Bar do Magrão. Rua Agosinho Gomes, 2988, Ipiranga.

Mocotó. Avenida Nossa Senhora do Loreto, 1100, Vila Medeiros.

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Dia Internacional da Cerveja (ou como globalizar uma conversa de botequim) http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/08/01/dia-internacional-da-cerveja-ou-como-globalizar-uma-conversa-de-botequim/ http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/08/01/dia-internacional-da-cerveja-ou-como-globalizar-uma-conversa-de-botequim/#respond Thu, 01 Aug 2019 22:47:57 +0000 http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/?p=427

Les 3 Brasseurs: cerveja made in Itaim Bibi a 10,00 neste Dia da Cerveja / Fotos: Miguel Icassatti

Só poderia ter acontecido desta forma: o Dia Internacional da Cerveja, que vamos comemorar nesta sexta-feira, 2 de agosto, foi inventado por um grupo de amigos em uma mesa de bar.

Não sei se os deputados estaduais Chico Sardelli e Reinaldo Alguz estavam em uma mesa de bar na companhia do governador João Dória quando resolveram criar o dia de oração pelas autoridades da nação (minúsculas por minha conta) mas… com o Dia Internacional da Cerveja foi mais ou menos assim: em meados de 2007, na cidade de Santa Cruz, na Califórnia, os amigos Aaron Araki, Evan Hamilton, Jesse Avshalomov e Richard Hernandez simplesmente decidiram que a primeira sexta-feira do mês de agosto, a partir de 2008, passaria a ser conhecida como “Dia Internacional da Cerveja”.

Ao instituir a efeméride, os gaiatos convocaram alguns bares da região a aderirem à ideia e definiram três objetivos: 1. Transformar a data em um pretexto para beber cerveja com os amigos; 2. Homenagear os profissionais que fazem e servem cerveja; 3. Fazer os beer lovers ao redor do mundo celebrarem num mesmo momento todos os estilos de cerveja produzidos no planeta.

Uma década depois, a data já estava sendo comemorada em cerca de 200 cidades, a maioria delas no Hemisfério Norte. E por uma razão muito simples: em muitos países, a primeira sexta-feira de agosto coincide com o início das férias de verão. Além disso, conforme disse Jesse Avshalomov a uma rádio estadunidense, essa data se distancia de outras dedicadas à cerveja, a exemplo do Oktoberfest (outubro) e do St. Patrick’s Day (17 de março), para ficarmos em duas.

Na longínqua e invernal São Paulo, alguns bares aproveitam a ocasião para faturar: o pub O’Malley’s, por exemplo, vai cobrar o preço único de R$ 25,00 pelo pint de algumas cervejas importadas. Entre os rótulos da promoção estão os produzidos pela inglesa Fuller’s, como o London Pride e o Black Cab Stout.

Já na duas unidades da cervejaria 3 Brasseurs – Itaim Bibi e Pinheiros – o copo de qualquer um dos cinco tipos de cerveja produzidos ali vai custar R$ 10,00 (300 mililitros) nesta sexta-feira.

De todo modo, ergamos um brinde a ela, à cerveja, porque ela merece.

Vai lá:

3 Brasseurs. Rua Jesuíno Arruda, 470, Itaim Bibi e Rua dos Pinheiros, 227, Pinheiros.

O’Malley’s. Alameda Itu, 1529, Jardim Paulista.

 

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Quatro – e mais tantas – razões para botecar na Vila Ipojuca http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/07/18/quatro-e-mais-tantas-razoes-para-botecar-na-vila-ipojuca/ http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/07/18/quatro-e-mais-tantas-razoes-para-botecar-na-vila-ipojuca/#respond Fri, 19 Jul 2019 02:48:11 +0000 http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/?p=421

Torresmo do Hilda Botequim / Foto: Miguel Icassatti

Creio que não aconteça só comigo, mas a cidade de São Paulo é de fritar os miolos deste munícipe quando o assunto é zoneamento urbano. Nada mais adequado ao tema, aliás, do que esse substantivo que define a distribuição de logradouros e regula as edificações. É, realmente, uma zona. Por exemplo: um amigo higienopolitano, que hoje vive nos Jardins (ou Cerqueira César, sei lá…) e já morou no Morumbi (Real Parque seria mais correto?), me disse certa vez que não existe o bairro de Higienópolis. O que há, naquele pedaço central-oeste paulistano, é o encontro de três bairros: Pacaembu, Santa Cecília e Consolação. Higienópolis tratar-se-ia de uma convenção imobiliária.

Mais  a oeste, sempre me referi à Lapa como bairro – o do antigo ponto final no Penha-Lapa – quando, na verdade, é um distrito recheado de uma penca, aí sim, de bairros: City Lapa, Alto da Lapa, Vila Romana, Vila Anglo, Vila Anastácio, Vila Ipojuca, Lapa de Baixo.

O tema parece algo desimportante, ainda mais num blog que se presta a tratar de botecos e afins, mas há que se considerar que somos bairristas por natureza e orgulhosos de tudo de bom que temos na nossa vizinhança. O que há de ruim, bem, podemos sempre reclamar ao 156, número da centra de atendimento da Prefeitura.

No caso da supracitada Vila Ipojuca – aquele enclave sinuoso que desce à direita da Rua Cerro Corá na altura das ruas Ponta Porã e Tonelero, além das transversais, no sentido centro-bairro, e no qual ainda resistem à gentrificação muitas ruas calmas, sobradinhos, algum comércio de rua, praças e um ponto de ônibus tido como o mais antigo da cidade –, boas opções para botecar não faltam, seja na padoca, na pizzaria ou… no boteco.

A pequena Praça Sá Pinto, por exemplo, reúne a Vittuccio Pizzaria e o Hilda Botequim. Na esquina com a Rua Tonelero, a Vittuccio foi fundada em 1982. Já teve vários donos, mas persevera como uma casa dedica à pizza feita à moda napolitana, com massa de fermentação natural preparada com ótimos ingredientes. A diavola (R$ 79,00) mistura molho de tomate, provolone fersco, salame napolitano apimentado e manjericão. A botecagem – aqui entendida como a possibilidade de “petiscar” uma pizza – se faz presente nas seis maravilhas que são as receitas das rotolinas. As rotolinas são pizzas enroladas como rocambole, servidas em porção com 8 unidades, ideal para acompanhar a primeira taça de vinho ou a cerveja, a exemplo da de anchova com abobrinha, alecrim fresco e parmesão (R$ 51,00).

Rotolina de abobrinha, da Vittuccio / Foto: divulgação

Do outro lado da praça, o Hilda Botequim foi aberto em 2018. Funciona num salão pequeno, capaz de atender 40 pessoas ao mesmo tempo, se muito. Atender bem, aliás, já que Fábio, o garçom, é daquelas figuras amáveis e atenciosas, raras, para dizer a verdade. E anda tem a descrição dos pratos e drinques na ponta da língua. Antes mesmo que ele termine explicar, você já vai querer pedir um pão de queijo feito com queijo da Serra da Canastra recheado de pernil ou de ovo de gema mole (R$ 12,00). Ou a porção de impecáveis torresmos, marinados por três horas na banha (R$ 15,00), e que servem de entrada para a boa feijoada (R$ 55,00, para dois). Bebidas, além de uma dúzia de cachaças artesanais, há drinques como a caipirinha de três limões, feita com cachaça Saliníssima armazenada em barris de bálsamo (R$ 18,00).
 
Caipirinha de três limões do Hilda Botequim / Foto: Miguel Icassatti

Às terças e sextas, nós já falamos aqui neste espaço, a Padaria Natalina prepara desde a madrugada um senhor sanduíche de pernil (R$ 14,50), que o Toninho, no balcão, finaliza com um molho de tomate de própria lavra.

E no meio de um quarteirão da Rua Croata, a Casa Avós é um bar, um brewpub mantido pela Avós, uma cervejaria artesanal que se dedica a produzir bons rótulos do estilo Lager. No bar, que ocupa um sobrado erguido nos anos 1940, as cervejas estão à venda, seja na torneira, seja envasada. É um dos melhores programas da zona oeste, a bem da verdade, tomar uns copos ao cair da tarde da “Vó Maria e o Seu Lado Zen”, uma das cervejas da casa, levinha e refrescante. A gente, que já cruzou a cidade muitas vezes a bordo do Penha-Lapa, merece.

Vai lá:

Casa Avós. Rua Croata, 679, Vila Ipojuca.

Hilda Botequim. Praça Sá Pinto, 67.

Padaria Natalina. Rua Sepetiba, 448.

Vittuccio Pizzaria. Rua Tonelero, 609.

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No Pacaembu, um arraial que une futebol e botecagem http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/07/04/no-pacaembu-um-arraial-que-une-futebol-e-botecagem/ http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/07/04/no-pacaembu-um-arraial-que-une-futebol-e-botecagem/#respond Thu, 04 Jul 2019 22:15:47 +0000 http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/?p=414

Bolinho rabo de toro, do Bar do Luiz Fernandes / Foto: divulgação

Poucas coisas nesta vida combinam tanto, quanto futebol e boteco. Para quem acredita nessa máxima, não haverá programa melhor, neste domingo, do que o IV Arraial do Charles Miller, que acontece das 11 da manhã até o apito final da Copa América, no hall de entrada do Pacaembu.

Em uma parceria inédita, o Museu do Futebol e a Sociedade Paulista de Cultura de Boteco, da qual sou o curador, realizam o evento, com clima de estádio, som de bateria de arquibancada, receitas de boteco e telão para transmissão das finais da Copa do Mundo de Futebol Feminino (às 12h) e Copa América (às 17h).

O Arraial, com acesso gratuito, terá a culinária dos países dos torneios de futebol que se encerram no dia. Assim, o Bar do Luiz Fernandes (Mandaqui) vai servir um bolinho rabo de toro (de rabada) e o bolinho basco (de batata e recheio de carne desfiada, representando a gastronomia da Espanha; o Chef Carlos Bertolazzi (Zena Caffè, Jardins) leva suas coxinhas de frango, de pernil e de jaca, além de galinhada, representando o Brasil; já o Boteco do Carmo (Bairro do Limão), com o hot-dog tradicional, simboliza os EUA; o Boteco dos Hermanos leva com o choripán argentino, e o Sabor Original Cocina Chilena serve as tradicionais empanadas chilenas.

O chef Carlos Bertolazzi vai servir coxina de jaca, de pernil e de frango / Foto: divulgação

 

No inervalo entre as duas finais, as jogadoras Tamires Dias e Mônica Hickmann, da Seleção Brasileira, participam de um bate-papo mediado por mim. De quebra, o Museu vai estar com entrada gratuita e com atividades no espaço “Férias no Museu”.

Tudo ao mesmo tempo, ao longo do dia, no hall de entrada do velho e bom Estádio do Pacaembu.

Agora é só Firmino e companhia fazerem a parte deles no Maracanã.

Vai lá:

Arraial do Charles Miller. Hall de entrada do Estádio do Pacaembu, Praça Charles Miller.

Domingo, 7 de julho, das 11h às 19h.

Entrada franca.

 

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Na Speranza, pizza combina com cerveja e letras http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/06/27/na-speranza-pizza-combina-com-cerveja-e-letras/ http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/06/27/na-speranza-pizza-combina-com-cerveja-e-letras/#respond Thu, 27 Jun 2019 20:02:47 +0000 http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/?p=407
Chope Terceira Margem / Foto: Miguel Icassatti

Aos 60 anos de vida e com os mais relevantes serviços prestados à gastronomia paulistana – afinal, foi de seu forno a lenha que saíram os primeiros pães de linguiça à napolitana (o famoso Tortano, R$ 23,90 a fatia) e discos de pizza margherita (R$ 82,90) na cidade –, a pizzaria Speranza lança em suas duas unidades, tanto no Bexiga (ou Bixiga?) quanto em Moema, um chope artesanal.

No estilo Munich Helles, com teor alcoólico de 4,8%, de corpo leve, amargor suave e refrescante, com nota marcante de malte, a bebida ganhou o nome de Terceira Margem (R$ 10,90 o copo de 300 mililitros). Os leitores mais atentos perceberão que, sim, o nome da bebida faz alusão ao maravilhoso conto “A Terceira Margem do Rio”, escrito por Guimarães Rosa em 1962 e que integra a obra Primeiras Estórias. “Eu me identifico com o esse conto porque busquei fazer algo diferente nesta fase de maturidade na vida, um caminho entre duas margens”, diz Marcela Tarallo, uma das donas da Speranza e a criadora da receita do chope.

Tortano, o pão de calabresa da Speranza / Foto: divulgação

Empresária, portanto, e agora cervejeira, Marcela também criou uma versão engarrafada da bebida, que tem sabor e corpo muito semelhantes aos do chope, mas com um menos carbonatação (que provoca uma sensação de menos gás na hora de ser degustada). A cerveja Marias – este é o nome – custa R$ 22,50 (garrafa de meio litro).

Marias, a cerveja da Speranza / Foto: Miguel Icassatti

Mas a alusão literária ao nome da cerveja, desta vez ao poema de Mario Quintana, fica por minha conta, já que sou pai, filho e genro de Marias:

Há três coisa neste mundo
cujo gosto não sacia
É o gosto do pão, da água
e o do nome de Maria.

Vai lá:

Speranza. Rua Treze de Maio, 1004, Bela Vista e Avenida Sabiá, 786, Moema.

 

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50 anos de Stonewall e botecos para antes, durante e depois da Parada LGBT http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/06/20/50-anos-de-stonewall-e-botecos-para-antes-durante-e-depois-da-parada-lgbt/ http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/06/20/50-anos-de-stonewall-e-botecos-para-antes-durante-e-depois-da-parada-lgbt/#respond Thu, 20 Jun 2019 15:51:23 +0000 http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/?p=402 Neste domingo, 23, a 23ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo deve reunir 3 milhões de pessoas na Avenida Paulista. O evento terá 19 trios elétricos e atrações como as cantoras e DJs Lexa, Mc Pocahontas, Luisa Sonza e a ex (ou eterna?) Spice Girl Mel C. O tema da festa, este ano, é a celebração dos 50 anos do que ficou conhecido como a Revolta de Stonewall, uma marco na luta do movimento gay.

Em meados dos anos 1960, o Stonewall Inn, no Village, era um bar do underground nova-iorquino que reunia gays, moradores de rua, pobres, mafiosos – consta que os donos do Stonewall Inn pagavam uma grana para que a casa pudesse funcionar sem maiores problemas – e todo tipo de gente que vivia à margem do glamour da Madison Avenue.

Acontece que o Stonewall Inn vendia bebida alcoólica e não tinha autorização para isso. Na madrugada de 28 de junho de 1969, esse foi o pretexto da polícia de Nova York para invadir o local. Nove policiais entraram na casa, prenderam funcionários, agrediram e levaram dali clientes, sobretudo travestis. Ao serem conduzidas à viatura, algumas dessas pessoas debocharam dos policiais, fazendo caretas, por exemplo, e a violência recrudesceu.

Do lado de fora, uma multidão começou a atirar moedas, pedras e garrafas nas viaturas. Os policiais montaram um abarricada e ficaram encurralados dentro do bar, que começou a pegar fogo. Pegaram uma mangueira para conter as chamas e ao mesmo tempo jogar água para dispersar os manifestantes.

Bar Balcão: um dos bares mais legais de SP / Fotos. Miguel Icassatti

 

Nos dias seguintes, os frequentadores que, por assim dizer, se escondiam no Stonewall Inn passaram a se reunir nos arredores, fazendo beijaços, abraçaços, marchando e exigindo direitos. Em 2016, o presidente Barack Obama tombou o local como o primeiro monumento em homenagem aos direitos dos cidadãos americanos LGBTQ.

Voltando à Paulista de 2019, a Parada do Orgulho do LGBT é uma das datas mais movimentadas do calendário paulistano. Segundo dados do Ministério do Turismo, chega a 90% a taxa de ocupação dos hotéis no centro e na região da Paulista. Em 2018, de acordo com o prefeito Bruno Covas, o evento movimentou 288 milhões de reais na economia da cidade.

Para além dos números, a Parada é uma festa. Durante os cinco anos em que morei no Baixo Augusta, a três quarteirões da Avenida Paulista, assisti a algumas edições do evento, tanto na companhia de amigos, como na de minha mulher.

Bares e restaurantes não faltam no entorno – e não estou aqui me referindo a pontos exclusivamente LGBT, mas, como direi, democráticos – seja para o antes, o durante e o depois da Parada, embora eu recomende as duas primeiras situações.

#ficaadica, o mundaréu colorido vai lotar esses endereços, por isso vale a pena chegar cedo e explorar alguns pontos um pouquinho mais distantes, a quatro ou cinco quadras da Paulista, tanto para o lado do centro como para os Jardins.

As duas unidades do Sujinho, uma de cada lado da Rua da Consolação, por exemplo, têm a vantagem de ficar no caminho dos trios elétricos. Haja bisteca.

Naquele quadrilátero entre as ruas Luís Coelho, Bela Cintra, Matias Aires e Frei Caneca, está fincado uma espécie de Baixo Minas, em pleno Baixo Augusta, com várias opções de cozinha das alterosas: Segredos de Minas, O Mineiro, Boteco de Minas e Terraço de Minas.

Haja torresmo.

O Tubaína Bar – de quem eu era vizinho – tem uma boa carta de cervejas (A Paulistânia Caminho das Índias é uma IPA vendida a 22,90 reais) e pratos redondinhos para compartilhar, como o baião-de-dois (59 reais, para três).

Do lado de lá da Paulista, quase em frente um ao outro, estão um clássico e uma boa novidade.

O primeiro é o Balcão, um dos bares mais legais desta cidade, pelo conjunto da obra, e que obra!: o amistoso balcão em ziguezague, o bom cheesesalada, a enorme de tela de Roy Lichtenstein, o quadro pintado pelo Jô…

Caipirinha Bruta, do Candeeiro

O recém-aberto Candeeiro, por sua vez, tem no comando o barman Zulu, que criou uma variada carta de drinques, que privilegia variações de caipirinha e outros drinques feitos com cachaça. São exemplos a Bruta (Cachaça 1000 Montes, limão rosa, mel e jurubeba) e a caipirinha Três Limões (26 reais).

Coxinha com massa de mandioquinha, do Candeeiro

Para comer, vale provar a porção de coxinha com massa de mandioquinha (22 reais a porção de 3 unidades) e a costela assada com arroz carreteiro (96 reais, para duas pessoas). Neste domingo, aliás, o DJ Leo Marinho, da Love Story, vai tocar música eletrônica na casa. Haja pick-up!

Vai lá:

Balcão. Rua Dr. Melo Alves, 150, Cerqueira César.

Boteco de Minas.Rua Matias Aires, 86, Consolação.

Candeeiro. Rua Dr. Melo Alves, 205, Cerqueira César.

O Mineiro. Rua Matias Aires, 74, Consolação.

Segredos de Minas: Rua Bela Cintra, 919, Consolação.

Stonewall In. 53 Christopher Street, Greenwich Village, Nova York.

Sujinho. Rua da Consolação, 2063, Consolação.

Terraço de Minas: Rua Haddock Lobo, 179, Consolação.

Tubaína. Rua Haddock Lobo, 74, Consolação.

 

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Dante e Astor, NY e SP http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/06/13/dante-e-astor-ny-e-sp/ http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/06/13/dante-e-astor-ny-e-sp/#respond Thu, 13 Jun 2019 22:13:03 +0000 http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/?p=396

Negroni do Dante NYC: neste fim de semana, no Astor / Foto: dante-nyc.com

Está lá, na capa do site do Dante, um dos grandes bares nova-iorquinos: de 15 a 18 de junho, a casa apresenta sua primeira versão pop-up “in one of our all time favorite cities, São Paulo”. Nesses quatro dias, está previsto o desembarque do barman Naren Young no balcão do Astor.

Considerado o melhor bar de Nova York em 2018 pela revista Time Out e o 9º melhor bar do mundo na lista World’s 50 Best Bar, o Dante NYC tem mais de um século de história. Foi aberto no Village, em 1915, como Caffé Dante, e funcionou também como trattoria, aberto todos os dias e durante o dia.

É historicamente conhecido pela coquetelaria, em especial graças às versões do Negroni, e vem recebendo boas resenhas desde que o ponto da McDougal Street foi reformado, em 2014 – aliás, está prometida até uma mudança cenográfica do ambiente do Astor, durante os quatro dias em que a casa paulistana recebe os gringos.

Da lista de drinques apresentadas no Astor, constam onze receitas, entre as quais quatro de Negroni – o chope Sbagliato, por exemplo, mistura a cerveja Wäls 42 com gim, vermute tinto, Campari e laranja; 30 reais a dose – e uma versão do Gibson, que é assim um Dry Martini com cebola em conserva, em vez de azeitona. Trata-se do Upside Down Dirty Gibson, feito com vermutes seco e branco, gim, cebola em conserva e bitter com absinto (34 reais).

Vou lá pedir o meu, stirred not shaken.

Vai lá:

Dante no Astor. Rua Delfina, 163, Vila Madalena.

Quando: sábado (15), segunda (17) e terça (18), 18h/22h; domingo (16), 12h/16h.

 

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Leiden e o gim que não bebi com meu avô http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/06/07/leiden-e-o-gim-que-nao-bebi-com-meu-avo/ http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/2019/06/07/leiden-e-o-gim-que-nao-bebi-com-meu-avo/#respond Fri, 07 Jun 2019 03:34:40 +0000 http://boteclando.blogosfera.uol.com.br/?p=390

Leiden: terra natal do gim / Foto: Holland.com

 

Leiden é uma cidade holandesa de 121 mil habitantes, nos arredores de Haia. Ali nasceu o grande pintor e gravurista Rembrandt (1606-1669) – aliás, há cinco gravuras dele expostas na Fundação Ema Klabin Casa Museu, na esquina da Avenida Europa com a Rua Portugal.

De Leiden partiu em 1620 rumo à América do Norte um grupo de refugiados religiosos ingleses, os “Pilgrims Fathers”, que iriam fundar a colônia de Plymouth, no futuro estado da Nova Inglaterra, território que mais tarde daria origem aos Estados Unidos.

A Universidade de Leiden, fundada em 1575, é a mais antiga da Holanda e, ainda hoje, uma das mais prestigiadas instituições de ensino do mundo. Foi em seus laboratórios – segundo consta no livro Os Segredos do Gim, de João Osvaldo Albano do Amarante, Mescla Editorial, lançado em 2016 –, que, no século XVII, o professor alemão Franciscus Sylvis de la Boe produziu um medicamento a base de zimbro para tratar dores de estômago, artrite, cálculo biliar e gota. Esse remédio era o gim, que mais tarde viria a ser popularizado na Inglaterra.

De acordo com a legislação brasileira, “gim é uma bebida com graduação alcoólica de 35% a 54% obtida pela redestilação do álcool etílico potável de origem agrícola” (no Brasil, por exemplo, produz-se gim a partir da cana de açúcar), na presença de bagas de zimbro, com adição ou não de outra substância vegetal aromática. Na Europa, há gins que ultraassam esse limite alcoólico, como é o caso do Blackwood’s Vintage Dry Gin, que tem 60% de graduação alcoólica.

Negroni: clássico feito com gim / Foto: Miguel Icassatti

Veio da Europa, aliás, e mais precisamente de Portugal e da Espanha, a atual onda de consumo de gim nos bares brasileiros. Base de drinques clássicos como o Dry Martini e o Negroni –, a bebida vem sendo muito consumida nesses países na forma de Gim Tônica, também um drinque clássico homologado pela Internation Barmen Association (IBA).

Na cidade do Porto, por exemplo, o Gin House segue firme e forte desde 2014, ao menos, quando lá estive pela primeira vez, com sua impressionante oferta de 200 marcas de gim.

Em São Paulo, como não poderia deixar de ser, pipocaram bares especializados na bebida, casos do G&T, do Só Shots e do Periquita & Gin Club.

E neste sábado, 8 de junho, acontece na cidade pela quarta vez a festa World Gin Day, das 16h à meia-noite, na Casa Bossa (Shopping Cidade Jardim). Trata-se de uma festa regada a jazz ao vivo e DJ sets que celebra o dia mundial do gim, comemorado em 11 de junho. Com ingressos a 60 reais, o evento reunirá dez barmen, que irão preparar drinques com diferentes marcas de gim. Em paralelo, acontecem palestras e workshops, nos quais é possível adquirir mais conhecimento sobre a bebida.

Voltando a Leiden, foi lá que nasceu meu avô Antonius, no ano de 1905. Ele morreu em São Paulo, aos 83 anos. Jogávamos futebol de botão na mesa da sala – eu sempre roubava para que ele ganhasse de mim – mas ele se foi antes de ter me dado a honra de acompanhá-lo em um Dry Martini. Lembro que ele gostava de café coado e de uma cerveja.

Vai lá:

World Gin Day. Sábado, 16h à 0h, Casa Bossa (Shopping Cidade Jardim), worldginday.com.br

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