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7 Maravilhas da gastronomia dos botecos paulistanos

Miguel Icassatti

06/11/2019 07h34

Antes que atirem-me o primeiro torresmo, por favor notem, caros leitores, a ausência do artigo definido feminino plural "As" no título deste texto. Tomei esse cuidado não por ser um amarelão ou isentão mas, simplesmente, por acreditar que nos botecos de São Paulo temos incontáveis petiscos, sanduíches, pratos, porções que devem ser lembrados como genuínas maravilhas da gastronomia de nossa cidade.

Acontece que gostamos de listas, tanto nós que escrevemos quanto vocês que nos dão a honra da leitura. Dia desses eu estava ao balcão de um boteco, sozinho, e comecei a divagar em relação às receitas que mais gostosa de comer nos botecos da cidade. A lista é grande, há botecos que contribuem com três, quatro ou mais itens. Mas para começar a brincadeira, começo com Sete Maravilhas da gastronomia dos Botecos Paulistanos:

Arais do Carlinhos

Arais do Carlinhos / Foto Leo Feltran_19/05/2019

 

Já contamos a história aqui no blog: certa tarde, em meados dos anos 1980, o saudoso Missak Yaroussalian estava na cozinha de seu restaurante e resolveu desmanchar uma cafta, leva-la à chapa, tempera-la e envolve-la com duas bandas de pão sírio. Pronto, estava criado o arais, que ao longo do tempo ganhou versões com queijo, vegetariana (de záatar) e até de nutella com banana.

Batata serragem do Valadares

Ainda que tardiamente, volto a falar da batata serragem, conforme prometido neste post. Trata-se de uma porção de batatas bolinhas cozidas na água com sal que recebe uma cobertura de alho picado, farinha de mandioca, colorau e pimenta-calabresa. É simples, é barato, é deliciosa.

Bolinho de carne do Bar do Luiz Fernandes

Trio de bolinhos do Bar do Luiz Fernandes (em primeiro plano, o de carne) / Foto Leo Feltran_19/05/2019

 

Sabe aquele bolinho de carne que rivaliza com o bolinho de carne que só a sua avó sabia fazer? Pois é, este aqui é uma receita da Dona Idalina, avó da Catarina e da Carol e, por que não?, de todos os que chegam ao boteco que está prestes a completar 50 anos de vida. Dona Idalina, aliás, incansavelmente vem criando uma receita diferente de bolinho a cada ano – o rabo de toro, de rabada, é outro caso sério – mas o de carne é insuperável.

Fogazza do Amigo Giannotti

O blogueiro e o Seu Giannotti, a lenda / Foto: Miguel Icassatti

 

A parada no Bar Amigo Giannotti era obrigatória ali no início dos anos 1990 para caras como eu que vestiam camiseta preta do Iron Maiden ou do Motorhead e seguiam para o Chop Haus (underground é isso aí, meus amigos) ou para o Café Piu-Piu a fim de assistir a algum show do Golpe de Estado, por exemplo. Com massa crocante e recheios saborosos – prefiro a de calabresa com queijo – a fogazza do Seu Giannotti é patrimônio do Bixiga, é coisa nossa.

Punhetas de bacalhau da Academia da Gula

Dona Rosa e a filha Daniela, as comandantes deste bar que há mais de duas décadas, zelam pela qualidade de todas as receitas servidas nesta verdadeira tasquinha portuguesa em plena Vila Mariana. Eu gosto do bolinho de bacalhau e também do arroz malandrinho que a Dona Rosa prepara. Mas, com todo respeito, as punhetas de bacalhau são inigualáveis, refrescantes e requerem a companhia de uma cerveja, ou melhor, de um vinho verde.

Rissole de camarão do Bar do Luiz Nozoie

Marcia Nozoie, filha do Seu Luiz, é a herdeira das habilidades culinárias da mãe, Dona Shizue, o anjo da guarda deste boteco paulistano fundamental. Há 21 anos, bissextamente, regresso ao bar e peço uma porção de jiló, um bolinho de arroz com calabresa ou uma conserva de lombo de porco temperado com ervas. Mas os rissoles que a Marcia prepara são tão gostosos quanto os da mãe. A massa crocante é a dose de cerveja integrada à mistura e o recheio campeão é o de camarão. Desafio o leitor a comer um só.

Roll-mop do Elídio Bar

Elidio Raimondi nos deixou em 2012. Deixou-nos, sim, aquele maravilhoso balcão mooquense, sempre coberto com dezenas de travessas repletas de petiscos, queijos, conservas e delícias da mais autêntica culinária de boteco. Neste que é o maior balcão de petiscos da cidade, eu poderia listar outras sete, talvez 14 ou 21 maravilhas, mas escolho o roll-mop (sardinha curtida em azeite temperado) para simboliza-lo.

Vai lá:

Academia da Gula. Rua Caravelas, 374, Vila Mariana.

Amigo Giannotti. Rua Santo Antônio, 1106, Bela Vista.

Bar do Luiz Fernandes. Rua Augusto Tolle, 610, Mandaqui.

Bar do Luiz Nozoie. Avenida do Cursino, 1210, Bosque da Saúde.

Carlinhos Restaurante. Rua Barão de Ladário, 566, Brás.

Elídio Bar. Rua Isabel Dias, 57, Mooca.

Valadares. Rua Faustolo, 463, Lapa.

PS: por falar em listas, recomendo o livro Alta Fidelidade, de Nick Hornby, assim como o filme, com John Cusack e Jack Black

Sobre o autor

Miguel Icassatti é jornalista e curador da Sociedade Paulista de Cultura de Boteco. Foi crítico de bares das revistas “Playboy” (1998-2000) e “Veja São Paulo” (2000), editor-assistente e um dos fundadores do “Paladar/jornal O Estado de S. Paulo” (2004 a 2007), editor dos guias “Veja Comer & Beber” em 18 regiões brasileiras (2007 a 2010), editor-chefe do Projeto Abril na Copa (Placar) e da revista “Men’s Health Brasil” (2011 a 2014). É colunista de “Cultura de Boteco” da rádio BandNews FM e correspondente no Brasil da “Revista de Vinhos” (Portugal).

Sobre o blog

Os petiscos, as bebidas, os balcões encardidos, as pessoas e tudo que envolve a cultura de boteco e outras histórias de bar.

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